Respondendo aos Comentários

Cardoso escreveu:
“Eu queria ter escrito isso.”

Que emoção! Meu caro Cardoso, não se acanhe: roube a frase, diga que é sua, use e abuse. Nesta minha infância blogueira, ser plagiada por você não seria um crime, e sim uma honra. Claro que quando eu for famosa, vou ter que lhe processar por direitos autorais; mas não se preocupe. Como pessoas civilizadas que somos, estou certa de que quando esse dia chegar (ainda há muita água para rolar debaixo da ponte), poderemos arranjar um acordo “por fora”, à la brasileira. 😉

Sérgio Issamu escreveu:
“Cada um cos xeus pobrema ceeertoo”
“Não, na verdade é assim. Se os adolescentes são assim a culpa obviamente não é toda deles. A mídia tem uma grande parcela de culpa, inclusive a internet. Se todo mundo “ixcrevi axim” é porque é legal, e se eu sou adolescente e não escrevo sou careta ou nerd. Tá, as vezes eu escrevo desse jeito. Não acho ruim, desde que saibam distinguir uma coisa da outra. Você deve ficar atento ao que escreve. Além disso os erros de português já são comuns não é de hoje.”

Concordo. O desejo de pertencer ao grupo, reflexo da necessidade humana básica de aceitação, tem um papel importante nessa questão. O grupo exerce uma grande pressão, no sentido de igualar: se você é diferente, será rejeitado. Isso vem de outro instinto básico: o medo. Parece ser inato no ser humano, o temor de tudo aquilo que é diferente. Até aí tudo bem.

Sobre isso, o que eu questiono é porquê os adolescentes (e os nem tanto) são incapazes de avaliar até onde devem ir em busca de aceitação; de decidir que critérios impostos pelo grupo são aceitáveis, e quais não. O que eu vejo é a busca de aceitação a qualquer preço, sem uso de discernimento ou bom senso. Ninguém defende o espaço da liberdade, da diferença, dos valores próprios, da individualidade.

Eu sei que a adolescência é uma época complicada. Eu senti na pele o que é ser um dos “outsiders”, a solidão, a rejeição. Mas sempre tive o orgulho de ser percebida como uma pessoa única, com idéias proprias, embora isso não me fizesse popular, na maior parte do tempo.

Li por aí (acho que foi no Mme. Mean) um comentário que dizia que os “adolescentes rejeitados” crescem e se tornam os adultos mais interessantes. É verdade. Pergunte a qualquer pessoa que você considere inteligente, como foi sua adolescência. A regra geral é que eles não pertenceram à turma dos populares, muito pelo contrário. E isso tem sua lógica.

Se você não perde tempo com os modismos e as tolices em voga, o que lhe resta? Os livros, a poesia, o aprendizado, a introspecção, a análise das coisas. Sem a pressão do grupo, sobra espaço para desenvolver suas próprias idéias e valores. Obviamente que, aos quinze anos, nada disso serve de consolo, tudo é muito doloroso.

Não deveria ser assim. Ninguém deveria ser crucificado por ser o que é, por não se adaptar aos padrões vigentes de aparência, pensamento, comportamento. Porque esses padrões, ao ser gerados por uma massa acéfala, são vazios, superficiais, efêmeros, sem sentido. Carecem de substância.

Onde está a solução? Em primeiro lugar, na responsabilidade dos pais. Se você teve um filho, faça-se responsável por ele! Em vez de emprender o caminho mais fácil, e ceder à criança, deixando que ela decida o que é melhor para si (!), os pais deveriam cumprir seu papel de ensiná-la a ser um ser humano pensante e digno. Deixar claro que não é possível (nem aconselhável) satisfazer todas as suas vontades. Que não é necessário possuir todos os brinquedos que aparecem na televisão. Que “todo mundo faz” e “os pais do fulano deixam”, não são motivos válidos para obter permissão para alguma coisa. Que existem coisas que são aceitáveis, outras que são toleráveis, e outras que nãos são aceitáveis e não serão toleradas. Ponto.

Ser um bom pai não significa fazer todas as vontades da criança (ou adolescente). Dar liberdade aos filhos não significa que tudo é discutível. Claro que o caminho inverso é muito mais fácil; mas ninguém disse que ter filhos fosse trabalho para qualquer um. Ser pai implica na responsabilidade de formar um ser humano, não só alimentá-lo e mantê-lo vivo.

O outro lado da moeda é o próprio adolescente. É necessário ter força de caráter, inteireza e coragem para não se deixar engolir pelo grupo e a massa. E isso vem não só da formação dada pelos pais, mas de sua natureza e consciência. E aí o bicho pega…

McExpiação

Se este é um espaço para confessar pecados, então também devo falar da expiação dos pecados, não é? Dos castigos e torturas que suportamos, e que diminuem a dívida no “kredi-karma” (acho que o copyright é da Zel). Pois então?

Terça-feira, devido a circunstâncias que não vem ao caso, me vi, desavisada e involuntariamente, num McDonalds cheio de crianças e seus respectivos pais (leia-se mães, pois os pais geralmente não tem paciência para tal esporte). Tão cheio, que foi difícil encontrar uma mesa onde pudéssemos sentarnos, enquanto esperávamos que nossa sobrinha se divertisse no “Play Place”. Para quem nunca se viu nessa situação, meus parabéns: você é um felizardo. Quem já passou por isso, conhece o horror da situação: a gritaria ensurdecedora e incessante, as barbaridades que as crianças fazem sob o olhar cansado e indiferente dos adultos, as inumeráveis vezes em que você é empurrado, pisoteado e atropelado, a sujeira nas mesas e pelo chão.

Estou eu lá, apertada em uma mesinha contra a parede, maldizendo a hora em que aceitei acompanhar minha sobrinha, tendo esquecido que era semana de férias… e meus pensamentos se voltaram para o lado filosófico-religioso da vida. Porque como eu sempre digo, esse “programa de indio” de ir ao McDonalds e lugares semelhantes, em dias e horários em que estão abarrotados de gente, vai contra minha religião. Sou contra todo tipo de comportamento de manada, ao qual o restante dos seres humanos parece ser tão afeito. Ninguém mais parecia se incomodar com a barulheira, ninguém protestava contra os empurrões, ninguém parecia incômodo com a proximidade forçada e a falta de espaço. Eu tenho horror de multidão; podem me chamar de esnobe.

As crianças nos brinquedos gritavam (gritavam, gritavam), pulavam, se atropelavam, suando. As mães, do outro lado das grades, mostravam uma paciência (Indiferença? Resignação?) inacreditável, cheias de sacolas, casacos, sapatos, e também gritavam. E eu pensava: se algum dia eu tiver filhos, não vou passar a fazer parte desse time de mães. Filho meu não vai brincar no Play Place, não vai me arrastar a lugares abarrotados de gente, não me obrigará a esperar, durante uma hora, sentada numa mesinha minúscula, enquanto ele se debate com outros mini-índios. Acho inaceitável e ridículo fazer parte dessa cultura de massas (olha o esnobismo aí de novo), se submeter à tirania infantil, movida pelo consumismo e a moda.

Meus pais nunca assumiram esse tipo de comportamento, e eu sou um ser humano educado, respeitoso e decente – provavelmente muito mais do que essa geração McDonalds chegará a ser algum dia. Podem dizer que os tempos são outros, que as coisas mudaram, e blá-blá-blá: o Play Place e lugares afins só ensinam as crianças a viver como manada, como bichos, amontoados, selvagens e sem noção de respeito – pelas outras crianças. pelos pais e pelos estranhos.

A única serventia desse esporte, é que suportar essa tortura durante uma tarde inteira, certamente conta pontos de expiação…Mas acho que ainda prefiro ir para o inferno. Deve ser menos barulhento.