As Esperas

Existem diferentes tipos de espera.

Há a espera na fila do banco, no caixa do supermercado, no atendimento ao cliente, na sala do dentista. Essas esperas são tediosas. Vazias. Você está ali, no mais das vezes sem fazer nada senão esperar. Você sabe exatamente o que acontecerá quando a espera acabar.

É um tempo perdido, de certa forma; mas o único stress associado com essa espera é a impaciência, o desejo de poder estar em outro lugar, fazendo outra coisa. Não há drama, digamos.

As Esperas

E existem outras esperas. A pior delas é a espera pela confirmação de uma notícia muito ruim. Durante essa espera, sentimos a espada de Dámocles sobre nossas cabeças; sabemos que a resposta pode trazer uma sentença de morte (real ou figurada). Alimentamos esperanças de que a má notícia não se confirme, embora nossa mente teime em vislumbrar os piores cenários possíveis.

Essa espera é dolorosa, sofrida. Pior do que ela, somente a efetiva confirmação daquilo que mais tememos.

Entre a espera vazia e a espera dolorosa, há ainda outra.

É a espera por uma resposta que vai afetar sua vida de alguma forma importante, embora não tão radicalmente quanto uma possível sentença de morte. Dessa resposta dependem as decisões que você vai tomar a seguir. E você não pode decidir antes de ter a resposta. Você não sabe o que vai acontecer, qual será a resposta, qual decisão será a mais adequada, quais consequências advirão dessa resposta e dessas decisões.

Essa é uma espera ansiosa, estressada, nervosa.

Quando estamos nessa espera, perdemos completamente o foco. Não produzimos nada, não conseguimos prestar atenção em nada, cumprir com nada. Nos resumimos à essa ansiedade inútil, à um nada cheio de nervosismo.

E existem ainda outras esperas. A espera do príncipe encantado, a espera dos nove meses, a espera do fim da chuva, a espera do telefone, a espera pelo retorno do filho pródigo.

Esperamos que as coisas melhorem, que lembrem de nós, que as aulas acabem, que a festa comece. Esperamos ter aprendido a lição, que amanhã seja um novo dia, que haja uma nova chance. Esperamos o tempo passar.

Esperamos e esperamos, mesmo quando já deveríamos ter desistido há muito tempo, e ainda quando deveríamos decidir, ao invés de esperar. Esperamos porque não queremos encarar a dolorosa verdade, porque não estamos dispostos a pagar o preço, porque temos preguiça de caminhar. Porque fazer acontecer dá trabalho. Porque não temos coragem.

E eu, com esperança vã, espero que não tenha sido em vão.

Imagem: Mirko Macari

Pensamentos Aleatórios Sobre a Alma

Janela da Alma

O chimarrão me acompanha, e penso aleatóriamente.

Hoje é um dia cansado. Talvez eu devesse ir ler meus livros, escrever no papel, costurar a alma.

Claro que pensar em ir cuidar da alma cansada em plena segunda-feira é pecado mortal, heresia, anátema. O mundo não para, há que se trabalhar, produzir, a alma não paga as contas, ela que espera e aguente, dirão.

E eu dou de ombros.

Porque a alma, minha amiga, é a única coisa que importa. A alma é o cerne do Universo, o mundo só existe e funciona através dela. Por muito que ela seja expoliada, rejeitada, escondida, desprezada, a alma é o que faz com que este ser bípede seja ainda humano.

A alma é o que torna o mundo real.

A alma percebe o que não mais vale a pena, o que deixou de ser importante, o que podia ser e não foi. E suspira com um quê de tristeza… de lamento.

E lendo coisas aleatórias aqui e ali, fisgando de forma oblíqua e superficial (intencionalmente, devo dizer, não quero aprofundar meu conhecimento sobre assuntos desse tipo) polêmicas e discussões irrelevantes, vejo o quanto diminuiu minha paciência, minha tolerância e meu interesse por essa categoria de superficialidades.

O mundo é podre, oh, sim. A estupidez, a mesquinharia e a imbecilidade mostram suas feias cabeças todos os dias, o tempo todo; a miséria humana está ao alcance de um clique.

E eu cada vez mais, escolho me distanciar disso. Minha alma não quer mais tentar explicar o quanto a polêmica previsível (e prevista) é idiota, o quanto a imbecilidade não vale seu olhar, o quanto o que é inútil (desculpe a redundância) é inútil, falto de senso, de valor, de importância.

Eu não quero mais entender. Quero abrir as janelas da minha alma sobre flores vermelhas, contemplar a beleza, encher os olhos de céu.

Não que eu tema ou despreze a feiúra. A vida não é somente feita de coisas belas. Mas não tenho mais tempo para gastar com coisas míseras.Tenho muito tempo para viver, criar, amar, ser.

O tempo que tenho, que todos nós temos, é o tempo da alma. O único tempo que importa.

Você pode tentar viver em outro tempo, pode até conseguir; mas viverá amputada de si mesma, vazia, estéril como um tronco caído, como a terra seca que sente saudades da chuva.

A alma é a única verdade que realmente existe.

Imagem: Andreiutza_ok – Creative Commons

Fazendo Contas

MosaicoEntão, que entramos no último trimestre do ano. Eu pisquei, e Outubro terminou. As festas se avizinham – pode me chamar de exagerada, mas eu não vou estar me escabelando quando chegue dia 20 de Dezembro. 😉

(Isso é assunto para outro post, prometo.)

Voltando ao assunto: o fim do ano se aproxima à passos largos. E para mim, começam os planos, os preparativos, as arrumações. Mas sobretudo, começam os balanços.

Aos pouquinhos, vou olhando para trás, pesando, analisando, avaliando. Fazendo contas e listas. Somas e restas, multiplicações, divisões. Sobe um, e o que sobra?

Escolhas foram feitas, muitas vezes no escuro, na fé, na esperança. Certas e erradas, pequenas e gigantescas. Consequências foram enfrentadas, com coragem ou resignação.

Histórias foram contadas, criadas, compartilhadas. Em verso e em prosa, alegres e tristes, acompanhadas de copos e cuias, à altas horas ou com o romper da manhã.

Com essas contas, vou construindo um mosaico de imagens, de momentos, pessoas, partidas, retornos, perdas e vitórias. De encontros e desencontros.

Tanta coisa, tanta. Tanta vida.

Mosaico

A conta ainda não está fechada, claro. A soma final do ano, só em Dezembro, lá no final. Mas enquanto Dezembro não chega, vou juntando pedacinhos de mosaico, colocando um pouco de pasta nas junções, alisando arestas. Movendo peças. Vendo onde as coisas se encaixam.

Não é fácil olhar para trás. Muita coisa ficou pelo caminho, e as peças descartadas se esparramam aos meus pés. Pois construir esse mosaico também significa reconhecer aquilo que não tem mais espaço nele; aquelas histórias e ciclos que se encerraram, que se perderam, que não existem mais.

Enquanto armo o mosaico, vou listando lições aprendidas. Testes nos quais passei e nos quais fui reprovada; fazendo anotações para a próxima sabatina.

E vou somando aprendizados, dividindo lágrimas repartidas, restando tempo desperdiçado com coisas inúteis, multiplicando sonhos e projetos. Juntando frações para achar o inteiro, modificando fórmulas para descobrir soluções, nomeando conjuntos e grupos.

Inventando uma matemática nova, viva, fluída. Que se transforma em mosaico, em memórias, em estrada percorrida e em horizontes novos. Em mapa de navegação.

Somas e restas, multiplicações, divisões. Sobe um, e o que sobra?

Vida.

Photo Credits: Ctd 2005

Preste atenção.

MomentosHá momentos na vida nos quais convêm prestar atenção.

Perceber esses momentos é uma arte, que só se refina com os anos. Somente após as perdas, após ser ferido e moldado pelo sofrimento, é que se aprende a captar e conservar os fugazes momentos que valem à pena.

É difícil percebê-los em meio ao ruído da vida cotidiana. Estamos acostumados a tornar-nos cegos e surdos à quase tudo e quase todos. A ir pela vida vendo as coisas sempre iguais, sempre o mesmo cinza, embotados e insensíveis.

Mas há momentos nos quais convêm prestar atenção.

Eles podem ser raros ou não, espetaculares ou pequeninos. Momentos onde temos a experiência fugaz e etérea da alma cheia, onde vislumbramos a paz que andamos sempre procurando.

Esses momentos não costumam durar mais do que isso, alguns momentos. Eles são como uma música de fundo, que de repente toca baixinho, e só você é capaz de ouvir. Momentos que passarão despercebidos, se você não estiver prestando atenção, se seus sentidos não tiverem sido treinados para escutar a vida vivendo.

Pode ser um encontro, uma palavra, uma conversa, uma música, um silêncio. Nesses momentos, se você prestar atenção, sentirá claramente que algo grandioso está se desenrolando ante seus olhos, ao seu redor. Sua alma abrirá as janelas de par em par, para não perder um só detalhe.

Você estará pisando em território sagrado, nas terras verdes onde a alma, o passado, as lembranças e o futuro moram.

Preste atenção. Pois desses momentos, é que nascem as lembranças mais preciosas, aquelas que nos acompanham na solidão das noites tristes, nas tardes de desesperança, no fundo do copo vazio e nas ausências.

Esses momentos são a verdadeira felicidade, são o estar vivo até o âmago dos ossos.

Photo Credit: Alizzze

Escolhas

Escolhas - Dois Caminhos

A semana se vai com rapidez assustadora. Propósitos, projetos, planos, ficam para trás, cada vez mais exilados da terra das coisas concretas.

E tudo acontece segundo o rumo marcado por nossas escolhas. Se você decide desperdiçar seu tempo, seu tempo será desperdiçado exatamente da forma como sua escolha soberanamente determinou.

Se você decide fazer algo produtivo, assim será feito. Tudo depende de suas escolhas: os riscos assumidos, as oportunidades perdidas, o rumo traçado e seguido.

Reconhecer esse fato é doloroso, pois já não temos ombros onde depositar a culpa de nossos fracassos, que não os próprios.

Ao mesmo tempo, ter essa consciência nos faz fortes, pois descobrimos que o rumo a seguir, a rota a ser navegada, é determinada por nós mesmos. Descobrimos que somos livres para caminhar em direção aos nossos objetivos, para corrigir o rumo, para trocar de mapa.

Descobrimos que somos livres.

Não existe liberdade sem escolha

Escolhas - Vários CaminhosSó é livre aquele que tem escolha.

Se você não pode escolher parar de jogar um jogo, por exemplo, você não é livre – é escravo, seja do jogo, seja de seu vício.

Se você não pode escolher fazer uma coisa agora, pois a procrastinação é mais forte, você é escravo dela.

Ser escravo de seus hábitos é ser escravo de suas fraquezas.

E você escolhe ser escravo.

Somos o que escolhemos

Escolhas - Caminho DifícilE não existe alternativa possível.

Seu namorado é infiel? Você é quem escolhe continuar com ele.

Sua sogra se intromete no seu casamento? Você é quem escolhe tolerar isso.

Seu dia não foi produtivo? Você escolheu fazer coisas que não eram produtivas. Seu projeto não vai pra frente? Não será porque você escolhe dedicar seu tempo a outras coisas?

Eu sei que existem casos onde não é tão simples. Onde uma fonte externa nos coloca uma barreira, um obstáculo, talvez intransponível.

E no entanto, mesmo nesses casos extremos, a nós cabe a escolha.

Continuar lutando, abandonar essa batalha por outra mais promissora, ou desistir e render-se – sempre temos essas 3 escolhas ao nosso dispor.

O que você escolheu hoje?

Photo Credits: MgusFrancescopozziHerny Bahus

Você é justo?

Esse anúncio aqui costuma aparecer com frequência na minha Inbox do Gmail. Veja só que pérola:

Você é justo? http://www.bjnewlife.org – Você tem certeza de que irá para o Céu?

Só para ter certeza, copiei o link e fui lá dar uma conferida. Minhas óbvias suspeitas se confirmaram: é um site cristão. Uma rápida olhada não revelou nenhuma afiliação específica (Católica, Evangélica, Batista, etc.). Não faz diferença.

Você tem certeza de que irá para o Céu?

Ai, meu pai (expressão retórica). Claro que não. Eu não tenho certeza nem de que o Céu existe, quanto mais de que eu vou para lá! Acho que eu tô mais é com jeito de ir para o andar de baixo.

Falando sério, porquê será que os cristãos, as igrejas e as religiões precisam usar essas táticas de terrorismo psicológico para convencer as pessoas? Alguém já parou para pensar que se eles pregassem “Você vai pra o Céu, mesmo que não acredite em porra nenhuma“, não seria possível encontrar um só devoto de porcaria nenhuma em cima da face da Terra?

O Terror Institucionalizado

Pare um minuto, e analise as religiões mais conhecidas. Todas, absolutamente TODAS estão baseadas no terror institucionalizado. Essas poderosas corporações ameaçam constantemente as pessoas com frases como:

Só aqueles que seguirem estes preceitos serão salvos.
Se você não cumprir estes mandatos, sua alma arderá em torturas indizíveis pelo resto da eternidade.
Só os que acreditam poderão entrar ao Paraíso.

Fé significa acatar os dogmas que nós indicarmos.
Questionar qualquer coisa é falta de fé.
O livre-arbítrio serve para escolher fazer o que nós mandamos.
Se você não amar seu próximo, você será condenado ao Inferno.

As religiões dizem que pregam o Amor. Eu quisera saber o que o Amor tem a ver com amealhar devotos aterrorizados; com arrebanhar seguidores através da culpa, da ira e da ignorância; com engordar suas filas com pessoas que só estão lá por que morrem de medo dos castigos que os sacerdotes bradam aos quatro ventos, do alto de sua santidade santurrona e auto-concedida.

Você é Justo?

Segundo o conceito de quem? Esse é outro problema. Tudo muda segundo a religião de quem estiver falando; cada religião tem sua Bíblia, e cada Bíblia tem 70 vezes sete interpretações diferentes. E cada corrente assegura que sua interpretação é a correta, a única e verdadeira; cada corrente/religião/seita garante que sua visão da verdade é o único caminho da salvação.

Como diabos vou saber onde verdadeiramente está a salvação, então? Eu disse lá no começo, eu vou é pro Inferno mesmo. To Hell, no stop.

Se bem que, minha intuição e minha sabedoria me dizem que a salvação está na direção oposta das religiões instituídas. Então, na verdade estou no caminho certo. 😉

E sim, eu sou justa. Ao menos segundo meu próprio critério, que é o único que me interessa no momento. O resto é balela.

Se o Inferno é Aqui na Terra, o Purgatório tem Várias Sucursais Públicas

O que segue, é uma história da vida real, protagonizada pela valente e sofrida autora deste humilde blog, originalmente escrita em um bloquinho de notas, no dia 19 de outubro do ano de 2006, uma ensolarada quinta-feira de primavera.

Esta emocionante saga contém drama, aventura, comédia, e alguns palavrões (com não poderia deixar de ser em uma história transcorrida em uma repartição pública). Você vai rir, você vai chorar, você vai se emocionar. Mas mais do que tudo, você vai se identificar com o sofrimento da heroína, tenho certeza.

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A imbecil que vos escreve, vos escreve sentada em uma cadeira de plástico, na seção Arrecadação da DGI (Dirección General Impositiva – o orgão que arrecada/rouba/extorsiona os impostos no Uruguay). A imbecil que vos escreve, precisa de um certificado. A imbecil (já sabem qual, a que vos escreve) telefonou para a DGI segunda-feira, para se informar sobre que documentos seriam necessários para tirar o certificado. Minha última pergunta ao telefone foi: “E quanto demora para que o certificado me seja entregue?” Resposta: “Se estiver tudo certo, lhe entregam no momento.”

Ótemo, ótemo, porque a imbecil aqui sabia que ia estar tudo certo; como boa imbecil que paga religiosamente seus impostos e guarda religiosamente todos os comprovantes. A imbecil aqui teve certeza de que terça-feira estaria com o certificado nas mãos.

Yeah, right.

Terça chego lá, na seção Arrecadação. Em nenhum lugar havia indicação alguma de onde se tiram os certificados. Havía uma mocréia balofa (atenção – eu não costumo julgar as pessoas pelo peso, mas essa mulherzinha me deu tanto nojo que vai de mocréia balofa mesmo) sentada sem fazer nada. Sei disso, porque eu havia passado por ela 10 minutos antes, e quando voltei ela não havia mudado de posição! Então, como ela estava ali dando sopa (pras moscas), fui perguntar para ela.

– Boa tarde, onde é que se tira o Certificado Único?

A maior cara de bunda que vocês possam imaginar se ergueu lentamente na minha direção e rosnou:

– Não é aqui.

A seguir, a cara de bunda descendeu de novo, pensando que eu ia ir me f*der (texto das entrelinhas do “Não é aqui”). Eu não ia deixar por essas. Indignada, espetei:

– E você tem idéia de onde é?

(Texto nas entrelinhas: O que você está pensando, mocréia mal-f*dida e mal-educada??)

A cara de bunda se metamorfoseou em cara de “coo”, mesmo.

– É aqui ao lado.

Ao lado, meus camaradas, era a mesa do lado, que estava ENCOSTADA na mesa de mocréia malfu. No entanto, ela tinha me mandado passear. Se eu não tivesse insistido, sabe Deus quantas voltas teria dado até achar um cristão que me ajudasse.

Eu até achei engraçado, porque ficou evidente que a mocréia em questão é mal-educada e grosseira, além de um ser humano de qualidade duvidosa.

Bom. Vou ao lado, me atende um senhor muito simpático, o que é uma raridade numa repartição pública. Aquí, tudo que é funcionário público parece mal-amado (ou malfu, se é que vocês me entendem). Não sei porquê, pois eles: não fazem merda nenhuma; dão – quando não têm mais opção – o pior serviço imaginável; recebem os melhores benefícios – adicionais, bônus, seguro, etc – entre todos os trabalhadores do país; têm emprego garantido, pois são inamovíveis; e cobram excelentes salários, pagos pela imbecil que vos escreve, e outros imbecis afins.

O senhor me diz com um sorriso: – Tenho número para quinta-feira às 12 horas. O quêêêê? Me fizeram vir até aqui, sendo que tive que passar correndo antes pelo trabalho do marido, para pegar um dos documentos necessários, o qual ele tinha esquecido de me entregar… Só para chegar aqui e voltar na quinta?? Mas que merda!! Porquê não dão número por telefone??

Sem mais “opição” (sim, fui sentada nesse mesmo), marquei número para quinta-feira ao meio-dia. O senhor ainda foi gentil: – Damos número para atender de forma organizada, cada um à sua hora.

Realiza comigo, Fernandinho: Ela acreditou!!! Querditei, sim, porque de vez em quando sofro umas crises de inocência galopante. Fui pra casa consolada pela idéia de ser atendida rápidamente na quinta-feira.

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Não percam amanhã o tragicômico desfecho desta emocionante minissérie em dois capítulos!

Alguém Me Explica…

Eu moro no Uruguay. Tá, eu sei que ninguém sabe que porra de país é esse, mas fica claro que não resido no Brasil. Hoje é sábado, são quase as três da tarde, de um belo dia pré-primaveral. Setembro de 2006.

Então, alguém me explica, porque é que tem um rapazinho de uns seis anos, berrando “Ilariê, Ô, Ô; Ô” (!!!) do lado de fora da minha janela? No Uruguay? Em Setembro de 2006?

E depois querem que eu acredite que a humanidade tem salvação.

Muitos Estereótipos, Entre Tantos

Quem é você?

O que você é?

Mulher, homem, pessoa?

Mãe, filha, folha ao vento? Amiga, namorada, salvadora, santa, mártir, pecadora? Mulher que trabalha, dona de casa, senhora de respeito, madame em desgraça, filósofa nas horas vagas, profissional de sucesso, esotérica sem salvação, empregada doméstica? Um porto de milagres, ladainha sem fim, tensão pré-menstrual, leitora voraz, poetisa delirante? Decadência de chocolate, morangos com pimenta, água sem sal, salada de verdes, anoréxica de academia, gulosa em guerra com a balança? Hedonista, workaholic, frustrada de fim de semana, cabecinha de noiva, fanática por novelas, romântica incurável? Inteligente de salto alto, esposa de pano de chão, matriarca rodando a baiana? Sempre dizer sim, aceitar com resignação, aguentar sem se queixar? Boazuda, gorda, feia, mulherão, loira burra?

Você é o que os outros dizem, é aquilo que come, é a que pensa no que não deve? Garota legal, mulher madura, rebelde intelectual, divorciada deprimida? Curiosa, reprimida, puritana, libertina, vagabunda, prostituta, beata, cozinheira, escrava, lutadora, assexuada? Deusa, bruxa, sacerdotisa, curandeira, maldita, redentora? Agradecida, explorada, bem ou mal comportada? Controlada, dominadora, egoísta, caridosa, companheira, neurótica, histérica, compreensiva, descomplicada, bem resolvida?

Marido, pai, irmão, contramão? Trabalhador honesto, bruto sem educação? Universitário duro, garanhão desalmado, coroa charmoso, velho abandonado? Homem de negócios, pedreiro, povão, melômano? Namorado sensível, parceiro egocêntrico, futebol aos domingos? Chope com os amigos, conquistador barato, aventuras sexuais, avesso ao compromisso? Técnico, científico, lógico, político, ecológico? Extremista, centrado, desentendido, solteiro, solitário? Herói, covarde, acomodado, decidido, impetuoso, místico de poltrona? Charlatão, distante, proveedor, desnecessário, poeta?

Bom de cama, homossexual, desleixado, machão? Machista, porco chovinista, bem ensinado, amigo leal? A melhor cantada, a ereção que nunca falha, o lado seco da cama, uma boa trepada? Sexo oral e anal, não ligar no outro dia, café da manhã com champanhe e flores? Não fazer perguntas, não precisar de ninguém, não chorar, não ter dúvidas, não? Ter todas as respostas, saber tudo, ser o melhor de todos, sempre o primeiro?

Você já parou para pensar, através de qual estereótipo você se define? Já percebeu, o quanto os estereótipos definem você?

QUEM É VOCÊ?

A Culpa é da Zel

Seis coisas que você deve saber sobre mim (e que provavelmente não vai gostar):

Pecado nº 1 – Meu signo no Horóscopo Chinês é Serpente, e sou uma digna representante da espécie: posso ser extremamente venenosa, sou rancorosa e vingativa, e não perdôo facilmente. Em minha defesa, posso dizer que nunca ataco primeiro. Tenho horror de confrontação; mas se você me chamar pra briga (leia-se, me agredir ou agredir alguém que me é caro) eu vou me defender e revidar. A partir desse ponto, não tenho pena ou remorso; me transformo em uma pessoa daninha e perigosa. No entanto, enquanto você não “pisar meu poncho”, serei a melhor pessoa que você já conheceu, aquela com quem sempre se pode contar, para as boas e para as más.

Moral da história: sou uma excelente amiga, mas não queira me ter como inimiga.

Pecado nº2 – Considero a grande maioria dos seres humanos como a raça mais estúpida que já pisou a face deste planeta, embora existam honrosas excepções (Zel, cê tá aí?). E tenho uma política de Tolerância Zero com a estupidez. Por exemplo: sabem o que pensei quando soube que o Steve Irwin morreu, picado por uma arraia? “Crocodiles don’t kill people, stupidity kill people.” Fala sério.

Pecado nº3 – Minha forma de ver a vida está baseada na espiritualidade. Não faço parte de nenhuma religião em particular, mas sigo uma espécie de “colcha de retalhos de crenças”; idéias e conceitos que fui experimentando, analisando e incorporando através dos anos, e que muda constantemente. Acho a Igreja Católica uma instituição execrável, e o fanatismo islâmico desprezível. Abomino qualquer tipo de dogma; exijo o direito de pensar, indagar, duvidar, e sigo minhas próprias regras. Acredito na Deusa – e em Deus, pois vejo os dois como diferentes aspectos da mesma coisa; mas minha relação com “Ele” é mais distante. Gosto muito das tradições da Wicca, pois a espiritualidade da Mãe Terra é o que melhor alimenta minha alma. Me interesso por tudo o que tem a ver com o esoterismo, jogo tarot e geomancia, leio e estudo muito. Tenho uma intuição bastante bem-desenvolvida, e às vezes tenho sonhos premonitórios. E não estou louca, não – pelo menos não desse jeito. 😉

Pecado nº4 – Tenho poucos amigos – me sobram os dedos das mãos para contá-los. Isso porque levei muita porrada na vida, fui traída e abandonada inúmeras vezes. Por pessoas para quem abri meu coração e minha vida, em quem confiava. Até que um dia cansei. Não confio em mais ninguém, me fechei completamente. Mesmo esses poucos amigos não conhecem mais que a parte externa de meu ser; já não permito que ninguém “passe para dentro”. Esse lugar hoje só é frequentado por meu marido e minha família mais próxima. Afetos tenho, e muito profundos; mas entregar o coração, não mais.

Pecado nº5 – Tenho tanto orgulho de alguns dos meus defeitos, quanto de minhas melhores virtudes. Me aceito por inteiro, e amo minha parte boa E minha parte má. Talvez porque muitas vezes, o que me permitiu sobreviver às agruras do caminho, foi meu lado mais escuro. O que me dá força para lutar é a raiva, a soberba, a desconfiança, a temimosia, a capacidade de usar a arma do outro contra ele mesmo, e não minha bondade. No mundo em que vivo, os bonzinhos estão fadados a serem destruídos.

Pecado nº6 – Não acredito nisso de “não julgar as pessoas”. Julgo, sim, no sentido de formar uma opinião sobre a pessoa, baseada em seus atos. Eu não “procuro o que cada um tem de melhor”; somente observo o que cada um mostra. Ninguém pode me negar esse direito; se você age como um filho da puta, cafajeste ou qualquer outra coisa, não me peça que eu julgue que você é outra coisa senão um FDP ou cafajeste. Vá se catar.

Aí estão. Não gostou? Melhor, porque eu desconfio de tudo o que agrada à maioria. Esse seria um 7º Pecado: sou uma individualista ferrenha.

Gostou e quer fazer também? É muito simples: escreva 6 coisas que o mundo deve saber sobre você, e convoque 6 blogs a fazerem o mesmo. Não vou convidar ninguém, porque acho que provavelmente não receberia resposta. Se alguém quiser aderir, me avise, que ficarei encantada em visitar outros blogs e ler as respostas.