Crise aos 40? Ou vida nova?

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Não sou feminista – ao menos, não na acepção mais radical do termo. Tenho horror àquele tipo de feminismo que tenta colocar homens e mulheres no mesmo balaio de gatos, ignorando as diferenças. Vai daí que, quando vi a capa da Revista Época desta semana, já me armei:

A segunda vida das mulheres.
A crise da meia-idade chega ao mundo feminino – e traz mudanças muitas vezes para melhor”

Péra lá. Crise da meia-idade? A tão falada crise dos 40, tipicamente masculina? Aquela fase em que os homens regridem, comportam-se como adolescentes, esquecem-se das responsabilidade e dos cabelos brancos, renegam décadas de experiência?

Quer dizer que, agora, mulher tem crise de meia-idade? Desde quando? Em que planeta as mulheres ligam o modo revolta e saem fazendo estrepolia por aí? Com os pés atrás e as pedras na mão é que fui ler a matéria.

Até que não era tão ruim quanto imaginei, no fim das contas.

Parece que, ao invés de dirigir loucamente, virar pós-adolescente ou sair para comprar cigarros e nunca mais voltar, como os homens, a tal crise (crise?) da meia-idade chega para as mulheres na forma de reviravoltas positivas. A revista traz exemplos de mulheres que deram guinadas de 180 graus após os 40: inventaram ou reinventaram suas carreiras, voltaram a estudar, saíram de casamentos frustrantes.

Ah, bom. Porque mulher que se preza não deixa de lado a responsabilidade e valoriza a própria experiência. Ainda que esconda a idade, orgulha-se do aprendizado. E se reconstrói, sim. Cá entre nós, fazemos isso com muito mais determinação e capricho que os homens.

Há, claro, obstáculos a vencer. Segundo a matéria de Época, preconceitos precisam ser quebrados, como o suposto desinteresse por sexo após os 40. E ainda há nossas barreiras internas, o medo de envelhecer, de não ser mais tão atraente, de ficar sozinha, de não ser desejada. Questões a serem trabalhadas no dia-a-dia para que as mudanças positivas aflorem.

De toda forma, continuo rejeitando o termo “crise da meia-idade” para representar evoluções que, a bem da verdade, não têm idade certa para acontecer – tudo depende do estado de coisas, da (in)felicidade, da coragem de começar de novo. Já vi mulheres começando de novo aos 20, aos 30. Já vi mulheres que não recomeçam nunca, por puro medo.

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Ficando na revista, mas mudando de assunto: no fim da edição, há uma lista dos 10 sites mais badalados de 2007. Entre eles, o Twitter, queridinho de vários blogueiros, e o Second Life, fracasso de público e de crítica.

Até aí, morreu o Neves.

Só que a Época não escreveu os links para nenhum dos sites. Isso mesmo. Falou de internet, falou de sites, mas não deu os links. Preferiu entregar ao leitor uma informação incompleta – ele que se vire e pesquise se quiser conhecer os 10 indicados.

Que existe uma avareza crônica da mídia tradicional quando o assunto é link, já é sabido aos quatro cantos, mas isso é o cúmulo.

P.S.: a amiga, colunista e assessora para assuntos jornalísticos Lucia Freitas lembrou que a economia de links pode ser em função do racionamento de espaço em edições impressas. Se esse pessoal fosse mais antenado, tiraria a imagem que ilustra a listinha e incluiria os links, presentes na edição online.

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Saindo da revista, mas voltando ao assunto: já disse, não sou feminista, mas encontrei uma boa fonte sobre o assunto. O The Feminist eZine (em inglês) é uma enorme compilação de links sobre o feminismo – alguns bem radicais, outros pertinentes, curiosos, interessantes.

Destaque para a sessão Feminist Music, aberta por uma frase da cantora Alanis Morissette: “I see my body as an instrument, rather than an ornament” (“Vejo meu corpo como um instrumento, não um ornamento”).

Foto: Renato Targa.

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4 comentários sobre “Crise aos 40? Ou vida nova?

  1. Eu ainda acho que os homens não saem da infância… hehehehehe!!
    Acho que essa “crise de meia idade” como vc disse não tem idade, eu dei uma virada em minha vida aos 34 anos, hoje aos 43 sinto-me super bem!!
    Beijos!!

  2. Pô gente, não ser mais notada em festas e baladas é pra lá de ruim. Tenho notado isso ultimamente ainda que eu esteja passando por uma crise financeira e amorosa.

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