É Tempo

A hora chega. O tempo consome a espiral, e gira sobre si mesmo, e retorna a um diferente ponto. Os meses escorreram, lentos, velozes, impensados, despercebidos.

O tempo, ah, o tempo jamais se perde. Eu não perco tempo, me perco no tempo, e tudo são memórias e tangos antigos, e nostalgias tristes e saudades melancólicas.

Porque o que se foi, já não será, foi exilado à lugares inalcançáveis, às praias do outro lado do oceano, ao mar da tristeza que deságua em meus olhos.

Quietamente vivo a vida dolorosa, em carne viva, esquecida vida de poemas amarelados, de palavras poeirentas e repetidas.

A música me transporta; me percebo banida, amputada de uma época que nunca existiu, de um passado de romances inventados, de felicidades nunca sentidas. A vida da qual lembro, jamais existiu além dos limítes de minha pele. E mesmo essa, é mais uma coleção de fragmentos criados de melancolias incertas, vagas, fugidias, do que de sonhos e recordações imaginadas.

Olho para trás, e o caminho se perde entre as sombras da solidão, das palavras, das ásperas descobertas, das histórias que não foram contadas. Minha figura é uma sombra entre as sombras; alucinação, devaneio, personagem mitológico.

Eu sou aquilo que foi sonhado por minha tristeza.

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